Seu portal de tecnologia na internet

Investimento em criptomoedas: guia completo para iniciantes

Descubra como funcionam as criptomoedas, conheça Bitcoin, Ethereum e stablecoins e veja como investir com segurança no mercado.

As criptomoedas deixaram de ser assunto de nicho. Segundo dados da Receita Federal, mais de 11 milhões de brasileiros declararam ter algum tipo de criptoativo em 2023, número que representa crescimento de mais de 50% em relação a 2020. Ao mesmo tempo, o mercado ainda confunde muita gente: o que exatamente são criptomoedas, por que algumas sobem tanto e caem tanto, e como entrar nesse mercado sem cometer erros básicos?

Este guia foi escrito para quem está no começo. Não presumimos que você já sabe o que é blockchain ou que acompanha o preço do Bitcoin todo dia. O objetivo é que você saia daqui com uma visão clara do que são as criptomoedas, como funcionam, como investir em criptomoedas com segurança e o que esperar desse mercado.

O que são criptomoedas?

Criptomoeda é uma moeda digital que existe apenas no ambiente virtual e funciona de forma descentralizada, sem controle de governos, bancos centrais ou qualquer outra instituição. Quem garante o funcionamento do sistema é uma rede de computadores espalhados pelo mundo que registra e valida cada transação de forma transparente e permanente numa estrutura chamada blockchain.

O nome vem da criptografia, a tecnologia matemática que protege as transações e garante que ninguém consiga falsificar ou gastar a mesma moeda duas vezes. O Bitcoin foi a primeira criptomoeda, criada em 2009 por uma pessoa ou grupo sob o pseudônimo Satoshi Nakamoto. Desde então, surgiram milhares de outras, cada uma com características e propósitos diferentes.

Na prática, uma criptomoeda funciona como dinheiro digital: dá para comprar, vender, transferir para outras pessoas e guardar como reserva de valor. A diferença fundamental em relação ao dinheiro tradicional é que tudo acontece diretamente entre as partes, sem precisar de um banco no meio. Não existe uma autoridade central que emite, controla ou pode confiscar as criptomoedas, o que torna o sistema resistente à censura e acessível a qualquer pessoa com acesso à internet, em qualquer lugar do mundo.

Por que investir em criptomoedas?

Essa é uma pergunta que merece uma resposta honesta, sem exageros nem alarmismo. As criptomoedas têm características únicas que justificam a atenção de investidores, mas também têm riscos reais que precisam ser compreendidos antes de qualquer decisão.

Do lado das razões para considerar o investimento, três se destacam.

A primeira é o potencial de valorização. O Bitcoin acumulou uma valorização de mais de 150.000% entre 2010 e 2024, tornando-se o ativo de melhor desempenho da última década e meia segundo dados da plataforma de análise CoinGecko. Outros ativos como Ethereum e Solana também registraram valorizações expressivas em seus ciclos de alta. Esse histórico não garante repetição no futuro, mas explica o interesse crescente de investidores individuais e institucionais.

A segunda é a diversificação. Criptomoedas têm uma correlação historicamente baixa com ativos tradicionais como ações e renda fixa, o que significa que se comportam de forma relativamente independente em relação ao mercado financeiro convencional. Incluir uma pequena alocação em criptomoedas numa carteira diversificada pode reduzir o risco total da carteira em determinados cenários de mercado.

A terceira é o acesso. Diferente de ações e fundos, qualquer pessoa pode comprar criptomoedas com valores a partir de R$10 numa corretora regulamentada, sem horário de funcionamento, sem intermediário bancário obrigatório e sem fronteira geográfica. Nunca foi tão simples e acessível comprar criptomoedas no Brasil como hoje.

Do lado dos riscos, o principal é a volatilidade. O Bitcoin já caiu mais de 80% do seu valor em dois ciclos de baixa distintos: entre 2018 e 2019, e entre 2021 e 2022. Quem não estava preparado para essas quedas e vendeu no pânico realizou perdas que o tempo teria revertido. Criptomoedas são ativos de risco elevado e devem representar apenas uma parcela da carteira, nunca o todo.

Como funciona o mercado de criptomoedas?

O mercado de criptomoedas funciona de forma diferente dos mercados financeiros tradicionais em três aspectos fundamentais: funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem feriados ou horários de corte; é descentralizado, sem uma bolsa central que concentra todas as negociações; e é global, com compradores e vendedores de todo o mundo operando nos mesmos ativos ao mesmo tempo.

As negociações acontecem principalmente em exchanges, que são plataformas digitais onde compradores e vendedores se encontram para negociar criptomoedas. Existem dois tipos principais:

  • Exchanges centralizadas (CEX): são plataformas administradas por uma empresa que intermedia as negociações, guarda os ativos dos usuários e oferece suporte ao cliente. São a opção mais acessível para iniciantes, pois funcionam de forma similar a uma corretora de ações. Coinext, Binance e Coinbase são exemplos;
  • Exchanges descentralizaads (DEX): funcionam sem intermediários, com as negociações acontecendo diretamente entre usuários via contratos inteligentes na blockchain. São mais complexas de usar e indicadas para usuários com mais experiência no mercado.

O preço das criptomoedas é definido pela lei da oferta e da demanda em tempo real. Não existe uma cotação oficial única: o preço do Bitcoin na Coinext pode ser ligeiramente diferente do preço na Binance no mesmo instante, dependendo do volume de negociações e da liquidez de cada plataforma. As grandes plataformas tendem a ter preços mais próximos entre si por causa do alto volume de negociações.

A volatilidade é uma característica estrutural desse mercado. Em um único dia, o Bitcoin pode subir ou cair 5%, 10% ou mais. Em períodos de alta euforia ou pânico, essas variações são ainda maiores. Para o iniciante, entender que essa volatilidade é normal e não reagir a ela de forma impulsiva é uma das habilidades mais importantes a desenvolver.

Quais são as principais criptomoedas para iniciantes?

Com milhares de criptomoedas disponíveis no mercado, a primeira pergunta de quem está começando é sempre a mesma: por onde começo? A resposta mais segura para iniciantes é sempre partir pelas criptomoedas mais consolidadas, com maior liquidez e histórico mais longo. Não por falta de oportunidade nas demais, mas porque o risco de projetos menores é proporcionalmente maior.

Bitcoin (BTC)

O Bitcoin é a primeira e maior criptomoeda do mundo, criada em 2009. Com capitalização de mercado superior a US$ 1 trilhão em 2024 e mais de 15 anos de funcionamento ininterrupto, é o ativo com maior liquidez, maior adoção institucional e histórico mais longo do mercado. Para a maioria dos iniciantes, o Bitcoin é o ponto de partida natural: é o ativo mais compreensível, o mais regulamentado e o que tem a relação mais clara entre proposta de valor e demanda.

Uma característica importante: não é necessário comprar um Bitcoin inteiro. É possível comprar frações equivalentes a R$ 10, R$ 50 ou qualquer valor, tornando o acesso acessível independentemente do capital disponível.

Ethereum (ETH)

O Ethereum é a segunda maior criptomoeda do mundo e a principal plataforma de contratos inteligentes e aplicações descentralizadas. Enquanto o Bitcoin foi projetado principalmente como reserva de valor, o Ethereum foi criado para ser uma infraestrutura programável: sobre ele foram construídos protocolos DeFi, NFTs, stablecoins e uma enorme variedade de projetos.

Para o iniciante, o Ethereum representa uma exposição ao crescimento do ecossistema de aplicações descentralizadas, com liquidez alta e histórico sólido desde 2015.

Stablecoins (USDT e USDC)

Stablecoins são criptomoedas com valor atrelado a uma moeda fiat, geralmente o dólar americano. USDT (Tether) e USDC (USD Coin) são as mais usadas globalmente. Para iniciantes, as stablecoins têm um papel específico: permitem manter poder de compra em dólar dentro do ecossistema cripto, sem a volatilidade do Bitcoin ou do Ethereum. São úteis para quem quer se posicionar no mercado sem exposição total à variação de preço, ou para manter recursos disponíveis para comprar outros ativos em momentos de queda.

Como comprar criptomoedas passo a passo?

Comprar criptomoedas pela primeira vez parece complexo, mas o processo é simples quando dividido em etapas. O caminho mais seguro e recomendado para iniciantes é usar uma corretora brasileira regulamentada pelo Banco Central.

Passo 1: escolha uma corretora regulamentada

O primeiro passo é abrir uma conta numa corretora de criptomoedas autorizada pelo Banco Central. Corretoras regulamentadas seguem exigências de segurança, segregação patrimonial e conformidade com a Lei das Criptomoedas de 2022, o que garante proteção legal ao investidor. Fuja de plataformas desconhecidas que prometem rendimentos garantidos ou que não têm CNPJ brasileiro verificável.

Passo 2: faça o cadastro e a verificação de identidade

Toda corretora regulamentada exige a verificação de identidade antes de liberar as operações. O processo, chamado de KYC, inclui envio de documento de identidade, CPF e, em alguns casos, uma selfie ou comprovante de residência. É uma exigência regulatória para prevenção à lavagem de dinheiro e leva poucos minutos nas plataformas digitais.

Passo 3: deposite dinheiro na sua conta

Após a aprovação cadastral, deposite o valor que deseja investir via PIX, TED ou boleto. O valor aparece disponível na sua conta em minutos. Não existe valor mínimo obrigatório na maioria das plataformas: é possível começar com R$ 10.

Passo 4: escolha o ativo e execute a compra

Com saldo disponível, escolha a criptomoeda que quer comprar, defina o valor em reais e confirme a operação. Para iniciantes, a recomendação é começar pelas criptomoedas mais consolidadas: Bitcoin e Ethereum. Evite alocar todo o capital numa criptomoeda desconhecida ou num projeto novo sem histórico verificável.

Passo 5: defina como vai guardar seus ativos

Após comprar, decida onde seus ativos vão ficar. Deixar na corretora é a opção mais simples para iniciantes: a plataforma cuida da custódia e você acessa pelo aplicativo. Para quem guarda valores maiores por longo prazo, transferir para uma carteira própria, como uma hardware wallet, oferece uma camada adicional de segurança.

Como começar a investir em criptomoedas com segurança?

Conhecer os riscos e entender o mercado é o primeiro passo. Mas o que separa quem investe bem de quem comete os erros mais comuns não é o conhecimento técnico avançado. São hábitos simples aplicados desde o início.

Comece pelo quanto você pode perder. Antes de definir qualquer valor, faça uma pergunta honesta: quanto dinheiro você conseguiria ver cair 50% de valor sem precisar vender? Esse é o limite real do seu investimento em criptomoedas. A maioria dos especialistas em finanças recomenda não alocar mais do que 5% a 10% do patrimônio total em ativos de alta volatilidade como criptomoedas, especialmente no início.

Escolha uma corretora regulamentada. Usar uma plataforma autorizada pelo Banco Central é a proteção mais básica e mais importante que um iniciante pode ter. Corretoras regulamentadas seguem exigências de segregação patrimonial, conformidade com a Lei das Criptomoedas e processos de segurança verificáveis. Evite plataformas desconhecidas, sem CNPJ brasileiro ou que prometem rendimentos fixos e garantidos.

Comece pelos ativos mais consolidados. Bitcoin e Ethereum têm o histórico mais longo, a maior liquidez e a maior adoção institucional do mercado. Para quem está começando, concentrar os primeiros aportes nesses dois ativos reduz o risco de exposição a projetos sem fundamentos ou com histórico de fraude.

Use o DCA se não souber o momento certo de entrar. Em vez de colocar tudo de uma vez, investir um valor fixo em criptomoedas por mês independentemente do preço dilui o risco de entrada num momento ruim e disciplina o hábito de investir em criptomoedas regularmente. É uma estratégia simples e eficaz para iniciantes.

Guarde bem seus ativos. Se você deixar os ativos na corretora, verifique se ela tem segregação patrimonial e ative a autenticação em dois fatores na sua conta. Se transferir para uma carteira própria, guarde a frase de recuperação em papel, offline, em local seguro. Nunca compartilhe essa frase com ninguém.

Disclaimer: Esse texto tem caráter informativo e não se trata de recomendação de investimentos.